Quando confiar na sua intuição em decisões importantes

Alguns executivos se orgulham de ter uma intuição forte, aguçada ao longo de anos de experiência, que norteia suas decisões. Outros são ambivalentes quanto a confiar na intuição para fazer escolhas importantes, preocupados com o fato de ela ser inerentemente, tendenciosa ou emocional. Esse último grupo é, sem dúvida, a resposta ao conselho geralmente dado, de que deveríamos usar dados e análises formais para “analisar” a nossa intuição. Quem tem razão? Os líderes devem tomar decisões com base na sua intuição, ou não?

Por: Laura Huang - Harvard Business Review 

Minha pesquisa recente sugere que a intuição pode, de fato, ser útil, especialmente em situações de extrema incerteza onde a coleta de dados adicionais e análises não o influenciarão na direção certa a seguir. Em vários estudos que realizei sobre decisões de alto risco nos últimos oito anos – como cirurgiões tomando decisões de vida ou morte em pronto-atendimentos, ou investidores iniciantes decidindo como alocar milhões de dólares no capital de startups, descobri que a função da intuição é a de tentar inspirar um líder a tomar uma decisão importante, principalmente quando há riscos envolvidos. Diante da enorme quantidade de informações, riscos crescentes e incertezas, além da enorme pressão para tomar a decisão certa, existem sinais debilitantes que atrasam a nossa tomada de decisão. Postergamos a decisão em vez de tomá-la. A confiança na intuição faz com que os líderes se sintam mais à vontade para seguir em frente.

Por exemplo, ao longo de quatro estudos, observei centenas de investidores-anjos e capitalistas de risco à medida que pensavam nas decisões acerca da alocação de capital, monitorando até que ponto levavam em consideração os dados econômicos, financeiros, e os números, e até que ponto podiam confiar nos sinais e dicas baseadas nas informações intuitivas “não codificadas”. Com base nas informações objetivas e mensuráveis, como demonstrações financeiras e informações de mercado, quase todas essas aventuras de empreendedorismo seriam consideradas investimentos de risco que deveriam ser evitados. Ainda assim, investidores geralmente decidem arriscar e confiam na sua intuição para tal.

Monitorei 90 das empresas em que eles pensavam em investir com o tempo e pude constatar anos depois se a intuição dos investidores estava certa em relação a quais empresas teriam sucesso. O que aprendi com esse estudo e outros que realizei foi que aqueles que tomaram decisões acertadas com base na intuição, normalmente fazem o seguinte:

  • Reconhecem que a sua intuição não é uma informação isolada, mas que conta com informações subjetivas e objetivas já disponíveis.
  • Sabem que a intuição não é rápida, impulsiva e emocional – na verdade, é algo muito mais cultivado e sutil, fundamentado em experiência.
  • Comprometem-se a cultivá-la continuamente, prestando atenção aos exemplares, protótipos, estilos e modelos no seu ramo de atuação e conectando aquilo que aprenderam a decisões futuras.

Antes de decidir confiar na sua intuição, é importante fazer duas coisas:

Primeiro, reconheça o tipo de problema à mão. Que tipo de decisão você precisa tomar? Qual é o nível de “desconhecimento”? Guarde a sua intuição para essas decisões que vão além da rotina, quando análises de probabilidades e riscos não são somente irrealistas, como também inviáveis. Vejamos, por exemplo, a decisão de preparar a empresa para venda. É bastante provável que você observe modelos, números e previsões, mas haverá enormes incertezas e uma série de fatores ainda desconhecidos. Ou então, considere a decisão de lançar um produto. Provavelmente você fará pesquisas sobre os produtos do mercado e a concorrência, mas a sua análise não vai garantir que as pessoas comprarão seu produto. Esse é o tipo de decisão que o líder, depois de analisar, poderá confiar na sua intuição para decidir, ciente de que nunca terá informações suficientes para tomar uma decisão totalmente fundamentada em dados.

Se há dados e análises disponíveis e passíveis de uso, confie nelas. Caso você consiga calcular a probabilidade do resultado com uma confiança razoável, não faça uso de sua intuição.

Em segundo lugar, identifique de maneira clara o contexto no qual você tomará a decisão. Se você trabalha num ambiente onde a maneira de pensar e esquemas vencedores já foram desenvolvidos e comprovados – de modo a serem reutilizados sob um novo contexto – concentre-se na metodologia e na execução. Se, por outro lado, você procura tomar uma decisão do tipo diamante bruto para se destacar dentre os outros que tomaram uma decisão similar (pense em tentar prever a próxima startupunicórnio), a intuição pode ser de grande utilidade.

Uma vez que você decidiu confiar na sua intuição para tomar uma decisão de alto risco e alto impacto, não tente explicá-la ou justificar para os outros como você chegou a ela. Se você lançar mão da lógica e de dados para a sua intuição, a probabilidade de você adiar ou tomar uma decisão pior é grande.

Lembre-se de que há coisas que não podem ser quantificadas e, às vezes, é preciso usar a intuição para fazer algo diferente do que os dados instruíram a fazer. Quando esse for o caso, sua intuição pode lhe ajudar a tomar uma decisão de coragem.

 

Disponível em: https://hbrbr.uol.com.br/quando-confiar-na-sua-intuicao-em-decisoes-importantes/ Acesso em: 18 Dez 2019

 

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