O lado bom do perfeccionismo? Criatividade.

O perfeccionismo é um senhorio sofrível, mas um excelente escravo. Há desvantagens em deixá-lo assumir o controle: você perde tempo com decisões relativamente sem importância e fica irritado consigo mesmo por erros insignificantes – o que o faz ficar exausto e, por esperar que os outros se adaptem aos seus padrões, você torna sua colaboração mais difícil.

Por: Alice Boyes - Harvard Business Review 

 

No entanto, o perfeccionismo não é de todo ruim. Parte do que atrai as pessoas em sua direção é que muitas vezes há uma compensação, como acontece com máquinas caça-níquel. Há um apelo intermitente e este padrão tende a se repetir.

Este também é o motivo pelo qual os perfeccionistas resistem quando há necessidade de mudança. A ideia de que o perfeccionismo é uma qualidade negativa que as pessoas deveriam desconsiderar não é condizente com suas experiências. Se, em vez disso, os perfeccionistas reconhecem tanto suas vantagens como suas desvantagens, é provável que sigam por um caminho onde possam ajustar essa qualidade, aumentando ou diminuindo sua intensidade, dependendo da situação.

As maneiras mais óbvias de como o perfeccionismo pode beneficiar as pessoas são quando (a) estratégias criteriosas evitam erros e (b) situações extremamente competitivas em que uma pequena margem no desempenho é a diferença entre estar do lado certo ou errado do ponto de corte (por ex.: ser admitido na faculdade de medicina ou conseguir uma entrevista para um emprego extremamente competitivo). Entretanto, um benefício do perfeccionismo muito ignorado é que pode aumentar a criatividade. Veja como.

1. Você se incomoda com evidências contrárias à sua opinião (ou de consenso).

No momento, estou escrevendo meu próximo livro. O processo é geralmente assim: durante minha pesquisas, lerei uma séries de estudos que corroboram o que quero demonstrar, e então, do nada, lerei um estudo em específico – ou algum trecho – que vai contra o argumento que eu tinha em mente. Por um lado, vou querer ignorar o fato, mas o meu lado perfeccionista vai se sentir como se tivesse areia no sapato. O que não estiver fazendo sentido vai me incomodar até que eu retorne ao assunto e descubra uma maneira de conciliar com aquilo que encontrei na pesquisa que conduzi. Assim, quando tenho de descobrir como combinar ideias aparentemente dissonantes, meu raciocínio e escrita ficam muito mais criativos.

Perfeccionistas acham difícil ignorar situações nas quais o “rei está nu’’ e o rebanho adotou a mesma forma de pensar, mas existem lacunas neste consenso. Sua tendência em ruminar sobre o assunto e a incapacidade de bloquear intromissões podem ser úteis ao desafiar o status quo.
 

2. Sua vontade de entender tudo o leva a adquirir mais informações.

A curiosidade é extremamente associada à criatividade. As pessoas curiosas são mais motivadas pela possibilidades de adquirir novos conhecimentos do que pela possibilidade de conseguir resolver problemas específicos. Muitos perfeccionistas também tendem a querer entender tudo, mesmo que seja algo pouco relacionado à tarefa que têm em mãos. Divagar pode levar a um conjunto de ideias e informações muito mais diversificado do que uma abordagem objetiva para a resolução de problemas específicos.

Para obter este benefício, é preciso ser o tipo de perfeccionista que é guiado pelo desejo de excelência (e não pela forma como seu desempenho é avaliado pelos outros) e que se manifesta na persistência (e não na evasiva) perante a incerteza. Pessoas assim têm seu raciocínio em constante evolução — creem em sua capacidade de melhorar através do esforço.

3. Sua teimosia leva a soluções inovadoras.

Os perfeccionistas não gostam de fazer concessões ou aceitar soluções apenas razoáveis; querem um plano que entregue tudo o que programaram e vão trabalhar para alcançá-lo, criando, inclusive, alternativas “fora da caixa’’. Por exemplo, sou uma mãe que trabalha e quer ter horário flexível. Pessoas sensatas procurariam uma creche meio período. Mas eu não queria me comprometer com horário para estar em algum lugar específico. Felizmente, encontrei uma saída: minha academia tem uma “creche’’ para deixar as crianças, desde que os pais permaneçam no edifício. Desta forma, você frequentemente me encontrará exercitando na academia: andando a 3.7 km por hora na esteira enquanto leio pesquisas ou faço uma lista com os pontos principais para escrever um artigo. Ao usar esta estratégia pouco ortodoxa, mantenho minha agenda totalmente aberta e passo a maior parte do dia com meu filho, além de ter tempo para focar em meu trabalho quando preciso, sem distrações. Custa menos que uma creche convencional e gosto de me exercitar enquanto trabalho.

Os perfeccionistas geralmente costumam encontrar soluções surpreendentes e criativas, pois todas as “soluções padrão’’ têm alguma coisa negativa para eles. Mesmo quando chegam a uma conclusão que parece lógica, eles a recusam.
 

4. Sua competitividade torna você uma pessoa aguerrida, empenhada em acompanhar seus pares.

Quando um perfeccionista vê colegas acumulando conquistas as quais não está conseguindo realizar, tende a ficar incomodado. Pensa: “eu deveria estar fazendo isso também’’. Este instinto competitivo e imediatista leva o perfeccionista não só a tentar se igualar ao desempenho do colega, mas fazê-lo o quanto antes. Não gostam de sentir que ficaram para trás de alguém. Este senso de urgência pode fazer com que percorram caminhos criativos para recuperar o atraso.

A mesma reação acontece quando os perfeccionistas percebem que não prestaram a atenção devida aos detalhes ou perderam o prazo. Muitas pessoas mandariam um e-mail imediatamente, reconhecendo o lapso e solicitando mais prazo. Perfeccionistas, no entanto, muito provavelmente se apressarão para terminar o trabalho; continuarão se esforçando ao máximo e a desinibição e adrenalina devida ao curto prazo remanescente poderão impulsionar sua criatividade.

Se você é um perfeccionista, consegue se identificar em algumas destas características que descrevi?

Escrevo com frequência sobre ser menos perfeccionista para evitar as desvantagens (como, por exemplo, o “aqui e agora”), mas meu foco, na verdade, é em como maximizar suas vantagens e minimizar o lado negativo de suas características extremas. É importante desenvolver a compreensão profunda e aguçada de quando ser perfeccionista pode ajudá-lo, e quando isso se torna autossabotagem, para que aprenda a “entrar e sair” deste modo de funcionamento.

 

Disponível em: https://hbrbr.com.br/o-lado-bom-do-perfeccionismo-criatividade/ Acesso em: 09 Set 2020

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