Como inovar em empresas estabelecidas

O ex-vice-presidente de inovação da HP, Ahi Gvirtsman, conta o que aprendeu desenvolvendo produtos inovadores em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo

Por: StartSe

O trabalho do cientista da computação israelense Ahi Gvirtsman é inovar. Desde que se formou pelo Technion, o Instituto de Tecnologia de Israel, em 1992, Ahi atuou em diversas empresas, trabalhando com equipes multidisciplinares, em projetos de desenvolvimento de novos produtos e serviços, até se tornar vice-presidente de inovação da gigante de tecnologia HP, em setembro de 2016.

Na HP, Ahi criou um programa que foi responsável por dez inovações que impactaram significativamente as linhas de produção da empresa, e geraram centenas de milhões de dólares em negócios. As suas experiências na HP e as melhores práticas para a criação de novos produtos e serviços viraram o livro The PEAK Innovation Principles: Turn Your Organization Into an Innovation Powerhouse, lançado em 2017 (ainda não publicado no Brasil).

Hoje, Ahi trabalha como líder da área de produtos da consultoria em inovação Duco, cuja sede fica em Israel. Na Duco, o seu papel é criar e executar programas de inovação para grandes empresas, com o objetivo de ensinar os executivos ferramentas e processos para que eles possam inovar na velocidade das startups. Em junho, ele estará no Brasil para uma série de workshops sobre inovação, promovidos pela consultoria em inovação Semente, que acontecem em Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo.

Abaixo, as três principais lições que Ahi costuma compartilhar em suas conferências. Segundo Ahi, elas são um resumo de como inovar dentro de empresas estabelecidas.

 

1. Inovar é uma maratona e não uma corrida de 100 metros

 

Tenha uma abordagem coerente, consistente e busque resultados sustentáveis no longo prazo. Correr uma maratona demanda uma rotina disciplinada de treinos e não será no primeiro dia que o corredor conseguirá superar os 42 km. Os treinos começam com corridas leves e nesse começo a frequência das atividades é mais importante que a velocidade que se imprime.

No mundo corporativo, é comum que ações isoladas que apresentam uma esperança de resultado no curto prazo sejam tomadas. Os exemplos mais claros disso são os "hackathons" e competições de ideias incentivadas por palestras motivacionais e de criatividade.

Na prática, ações desse tipo são o equivalente a tentar correr uma maratona treinando muito pouco. O resultado desse tipo de abordagem é invariavelmente o fracasso. Ahi defende que seja criado um programa de inovação com uma abordagem integral, sistêmica e que objetive resultados sustentáveis no longo prazo.

"É possível começar com hackathons, campeonatos de ideias e palestras motivacionais sobre criatividade, porém estas iniciativas devem estar conectadas com um processo constante de exploração e evolução destas ideias", diz.

 

2. Ter ideias é a parte fácil o segredo está em saber como escalar as ideias

 

Construa um processo claro e contínuo para desenvolver suas iniciativas inovadoras. Dando sequência ao "Como" da primeira dica, Ahi sustenta que a inovação não é sobre ter ideias, mas sim sobre fazer elas acontecerem, desde o momento da concepção até a inserção nas linhas de produção e portfólio da empresa.

Tudo isso em um processo claro e constante. Para isso, Ahi construiu o "The Innovation Pipeline", um método de desenvolvimento de ideias inovadoras, adaptado para a realidade das corporações. Nesse framework são aplicados princípios de Customer Development e Lean Startup, que diminuem as incertezas e o risco das iniciativas de inovadoras.

 

3. Não existe um mapa para a inovação, mas existe um GPS

 

Identifique os seus motores de inovação, defina seus objetivos e acelere com consciência. Evidentemente, não existe uma fórmula mágica e um caminho único para empresas estabelecidas se tornarem mais inovadoras. Entretanto, após construir o programa de inovação da HP e atuar como mentor de dezenas de líderes de inovação, Ahi identificou três fatores que são essenciais para tornar uma empresa estabelecida inovadora. Ele chamou estes fatores de Go Ahead, Purpouse e Scale, que formam o anagrama GPS. Veja o que estes aspectos abrangem.

Go Ahead. Trata-se da cultura e do mindset empreendedor. São elementos chave para a inovação, política de alocação de recursos financeiros e de pessoal;

Purpose: É a gasolina para o engajamento e apoio dos executivos ao programa de inovação. É importante ter claro os objetivos de curto e médio prazo, e seus respectivos resultados chaves.

Scale: Trata-se da criação de um ecossistema de inovação com ferramentas e processos de gestão de "venture lifecycle", o gerenciamento de ciclo de vida da inovação.

"Na minha leitura, o Go Ahead representa onde a empresa está em termos de ativos. Já o Purpouse significa onde ela quer chegar. E o Scale é o caminho que vai conectar o estado atual ao futuro ambicionado", diz Ahi. Para ele, estes três aspectos devem ser constantemente monitorados e gerenciados, simultaneamente. Sem isso, a inovação é um evento esporádico, quando acontece.

 

Disponível em: https://www.startse.com/noticia/nova-economia/64062/ahi-gvirtsman-inovacao Acesso em: 06 Maio 2019 

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